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| - CULTURA |
| Equívocos e erros marcam final do Festival de Cinema de Paulínia |
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| 17/07/2009 - 13:40 | Sancler Ebert |
Paulínia (SP), 17 (AE) - O município de Paulínia amanheceu hoje (17) sem prefeito e com seu maior cartão postal - o Festival de Cinema - abalado por uma cerimônia confusa e uma premiação equivocada. Na tarde de quinta-feira, o prefeito José Pavan Júnior (DEM) havia almoçado com jornalistas. Saiu no meio da refeição pretextando compromissos. Estava sendo cassado pela Justiça Eleitoral por suposta compra de votos nas eleições de outubro do ano passado. Cabe ainda recurso. À noite, no encerramento do 2º Festival Paulínia de Cinema, o que se viu foi uma cerimônia confusa e atrapalhada, cujos protagonistas foram os apresentadores Murilo Benício e Guilhermina Guinle. Mas o pior mesmo veio com o resultado do júri, que, para pasmo geral, elegeu "Olhos Azuis", de José Joffily, como melhor longa de ficção e ainda lhe deu os prêmios de roteiro, atriz (Cristina Lago), ator coadjuvante (Irandhir Santos) e som.
A eleição do esquemático "Olhos Azuis" deixou a plateia perplexa. Numa seleção de bom nível, havia pelo menos três filmes em condições melhores para levar o troféu principal. O bonito "Antes Que o Mundo Acabe", de Anna Luiza Azevedo, ficou com os prêmios de direção, fotografia, figurino, trilha sonora e direção de arte, além do troféu da crítica. "Quanto Dura o Amor?", de Roberto Moreira, venceu na categoria de atriz (Silvia Lourenço e Maria Clara Spinelli), e "No Meu Lugar", de Eduardo Valente, ganhou apenas um troféu, o de atriz coadjuvante (Nívea Magno). O também problemático "O Contador de Histórias", de Luiz Villaça, levou o Prêmio Especial do Júri, o troféu de ator (dividido entre os protagonistas Marco Ribeiro, Paulo Mendes e Cleiton Santos), e o prêmio do júri popular.
Já na seção de documentários, o júri foi apenas tímido quando poderia ter sido incisivo. Jogou para as urtigas o mais desafiador dos concorrentes presentes em Paulínia, "Moscou", de Eduardo Coutinho que, não fosse o prêmio da crítica, teria saído de mãos abanando. Preferiu o bonito e poético "Só 10% É Mentira", de Pedro Cezar, sobre o poeta Manoel de Barros. Deu o troféu de direção a Roberto Berliner e Pedro Bronz, de "Herbert de Perto", sobre a trajetória artística e pessoal do roqueiro Herbert Vianna que perdeu a mulher e quase morreu num acidente de ultraleve. Depois da premiação, Herbert e seu grupo, Paralamas do Sucesso, deram show no mesmo palco onde pouco antes as trapalhadas haviam acontecido.
Foi bonito e, quem ficou para ver, pode ter se sentido recompensado por aturar tantos equívocos da cerimônia, precedida pela apresentação, fora de concurso, de "Tempos de Paz", de Daniel Filho, homenageado nesta edição, que compareceu à cidade com os dois atores do filme, Dan Stulbach e Tony Ramos. "Tempos de Paz" é baseado na peça "Novas Diretrizes em Tempos de Paz", de Bosco Brasil. Leva as marcas de sua origem teatral, mas não deixa de ser emocionante ao lembrar a opressão da 2ª Guerra, a violência do Estado Novo e as levas de grandes imigrantes que vieram da Europa e ajudaram a construir a cultura brasileira como Ziembinski, Anatol Rosenfeld, Otto Maria Carpeaux e muitos outros. Tony Ramos e Dan Stulbach protagonizam um excitante duelo de atores. Aliás, o filme, em seu todo (como a peça), é uma tocante homenagem à arte da representação.
Se houve emoção na tela, no palco o tom foi de comédia involuntária, quando não de ópera-bufa. A dupla de apresentadores atrapalhou-se com o teleprompter, inverteu a ordem de premiação e esqueceu alguns dos contemplados. Depois chamou vários em sequência, promovendo uma exótica fila para receber os troféus Menina de Ouro, ofertados pelo festival. Murilo Benício gemeu para pronunciar o nome do vencedor do prêmio de fotografia, Jacó Solitrenick. Como a noite começara com a homenagem a imigrantes de nomes exóticos, a piada não pegou bem. Como não pegou bem quando uma pessoa subiu ao palco para receber seu prêmio e Murilo brincou: "Quem será você, uma amiga da parente de um conhecido da premiada?" Ao que Ana Luiza Azevedo respondeu, com serenidade: "Eu sou a diretora do filme." Fazer gracinha com o caos nem sempre dá certo.
Vacilos à parte, sobra, como balanço, um festival de bom nível artístico, que conseguiu escolher títulos interessantes de uma safra problemática como a brasileira atual. Com exceção de "Destinos", de Moacir Góes, não houve nenhuma aberração entre os selecionados. Pelo contrário. A seleção, eclética, destacou bons filmes, uns com capacidade maior de dialogar com o público e outros de mais empenho e experimentação com a linguagem. Pena que não tenha escolhido um júri aberto a essas duas vertentes da expressão cinematográfica.
Agência Estado. |
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