Ricardo Düren ricardo@gazetadosul.com.br |
 |
 |
O trajeto de um ônibus que seguia de Santa Cruz do Sul para o Paraguai foi interrompido de forma assustadora na virada de sexta-feira para sábado. O coletivo foi invadido por assaltantes que não relutaram em empregar a violência para convencer as vítimas a entregar dinheiro. Vários passageiros levaram tapas e coronhadas.
O ônibus de excursão saiu de Santa Cruz por volta das 15 horas de sexta, levando 25 passageiros interessados em fazer compras em Ciudad del Este. Outros cinco tripulantes embarcaram em Venâncio Aires. Já durante a noite, o veículo parou em Seberi, onde os sacoleiros jantaram em um restaurante. A viagem foi retomada por volta das 21h30 mas, após rodar cerca de um quilômetro e meio, o motorista foi rendido.
Os bandidos apontaram armas para o motorista no momento em que ele passava em velocidade lenta sobre sonorizadores da BR–386. Cinco encapuzados embarcaram e ordenaram que o condutor levasse o veículo até uma estrada secundária, cercada por lavouras. A ação durou entre 45 minutos e uma hora.
“Os ladrões ficavam o tempo todo se revezando, entrando e saindo do ônibus. Quem se negasse a entregar dinheiro recebia tapas no rosto. Um rapaz sentado logo à minha frente apanhou bastante, levou golpes dados com cabos das armas”, conta uma aposentada de 77 anos, que pede para ter o nome preservado. “Eu fui deixada em paz porque logo entreguei meus R$ 70,00”, complementa. Segundo ela, várias pessoas teriam sido esbofeteadas.
Outro tripulante confirma. “Foi muito humilhante. Daquela turma, creio que ninguém mais vai viajar novamente”, diz. É o caso de uma passageira cuja manga do casaco foi cortada por um dos bandidos, munido com uma grande faca. “Ele ia passando a lâmina nas roupas de todos. Só notei o estrago depois, pois fiquei o tempo todo imóvel, cobrindo a cabeça com as mãos, seguindo as ordens dos bandidos.”
Ela chegou a pensar que o grupo mataria um jovem que argumentava não ter dinheiro. “Foram muitas ameaças. Diziam que matariam pelo menos uma pessoa. Apesar disso, muitos colegas ainda conseguiram escapar do prejuízo, escondendo dinheiro nas calças e embaixo dos bancos.” Após se negar a entregar valores, uma moça foi levada para fora do coletivo, onde sofreu ameaças, mas logo foi reconduzida.
Os criminosos também roubaram documentos e celulares. Antes de fugir, destruíram o painel do ônibus, para evitar que o veículo fosse ligado. De acordo com o dono da empresa, o qual também pede para ter o nome resguardado, dois passageiros tiveram que ser medicados. Após o registro na delegacia, o grupo voltou para a região.
|