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Aos 12 anos de idade, Milton Ericksson foi vítima da poliomielite. Dez meses depois de contrair a doença, escutou um médico dizer a seus pais: “Seu filho não passa desta noite”. Ericksson ouviu o choro de sua mãe e pensou: “Se eu passar desta noite, ela talvez não sofra tanto.” E decidiu não dormir até o dia amanhecer. De manhã gritou: “Ei, mãe! Eu continuo vivo!”
A alegria em casa foi tanta que, a partir daí, resolveu resistir sempre mais uma noite, para adiar o sofrimento dos pais. Morreu em 1990, aos 75 anos, deixando uma série de livros importantes sobre a enorme capacidade que o homem tem para vencer suas próprias limitações.
Restaurando a teia
Em Nova York vou tomar chá no final da tarde com uma artista bastante incomum. Ela trabalha num banco em Wall Street, mas certo dia teve um sonho: precisava ir a 12 lugares do mundo, e em cada um destes lugares fazer um trabalho de pintura e escultura na própria natureza.
Por enquanto, já conseguiu realizar quatro. Ela me mostra as fotos de um deles: um índio esculpido em uma caverna na Califórnia. Enquanto aguarda os sinais através dos sonhos, continua trabalhando no banco e assim consegue dinheiro para viajar e realizar sua tarefa. Pergunto por que faz isto.
– Para manter o mundo em equilíbrio – responde. – Pode parecer bobagem, mas existe alguma coisa tênue, unindo todos nós, e que podemos melhorar ou piorar à medida que vamos agindo. Podemos salvar ou destruir muita coisa com um simples gesto que às vezes parece absolutamente inútil. Pode até ser que meus sonhos sejam bobagem, mas não quero correr o risco de não segui-los: para mim, as relações entre os homens são iguais a uma imensa e frágil teia de aranha. Com meu trabalho, estou tentando remendar alguma parte desta teia.
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