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Ano 63 - sábado e domingo, 28 e 29 de abril de 2007
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Mauro | mauro@gazetadosul.com.br
CAPA
Orgulho gay na telinha
Fotos: Divulgação/GS
Maíra Assmann
mayra@gazetadosul.com.br
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Não é de hoje que as telenovelas vêm mostrando histórias de amor de homossexuais. Também não é recente a constatação de mais casais assumidos na vida real. No entanto, a presença deles na telinha têm deixado de ser esporádica para ganhar o horário nobre e a simpatia do público e dos outros personagens com quem convivem. Hoje é quase inimaginável uma novela não contar com personagens gays. E na maioria dos casos, ganham espaços de destaque na trama.

É o caso de Rodrigo (Carlos Casagrande) e Tiago (Sérgio Abreu) em Paraíso Tropical, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Os galãs aparecem trocando elogios e sentimentos na novela das oito da Globo, coisa que Rubinho (Fernando Eiras) e Marcelo (Thiago Picci) já faziam em Páginas da Vida (2006), de Manoel Carlos. Isso sem falar de Junior (Bruno Gagliasso) em América (2005), de Glória Perez, e tantas personagens em outros folhetins (ver tabela).

Lucas Nobre, 23 anos, estudante de jornalismo e ex-colunista do Horário Nobre do Magazine, fã de carteirinha de telenovelas, aponta a primeira vez em que um drama tratou abertamente de sentimentos homossexuais. Foi em O Rebu (1974), de Bráulio Pedroso, na Rede Globo. “Era o que se chamava de novela das dez, em que os temas mais pesados poderiam ser abordados, mas sempre com o olhar da censura, que muitas vezes deixava passar, sem perceber, mensagens subliminares.”

Depois dessa fase o público passou a julgar as cenas e decidir o que iria ou não ao ar. Um exemplo claro foi em Torre de Babel (1998), quando Sílvio de Abreu eliminou as personagem lésbicas de Cristiane Torloni e Sílvia Pfeifer junto com um shopping center. “Isso porque o tema ajudou a causar queda na audiência.” O caso das duas foi mais malfalado pelo público do que a crueldade da personagem de Tony Ramos, que logo no primeiro capítulo matou sua esposa com golpes de pá.

“No mesmo bloco as lésbicas bem sucedidas tiveram uma discussão e foram para o quarto simplesmente dormir na mesma cama. E tem mais: o personagem de Juca de Oliveira teve um caso com a própria nora”, recorda Nobre. Conforme relembra o jovem, antes disso Abreu já tinha trabalhado com a homossexualidade em A Próxima Vítima (1995), onde a condição de gays de Sandro (André Gonçalves) e Jefferson (Lui Mendes) só foi revelada na metade da trama.

VINGANÇA – Com Sandro e André, Abreu acabou ganhando a simpatia de muitos gays, já que dois anos antes o jornal Folha de São Paulo havia publicado uma pesquisa de opinião pública confirmando que, de todas as minorias sociais, “os homossexuais eram as maiores vítimas do preconceito”, mais rejeitados que os negros, judeus e mulheres.

Dez anos depois de A Próxima Vítima ele se “vingava” da condenação do público por Torre de Babel, quando encerrou Belíssima com Rebeca (Carolina Ferraz) feliz ao lado da secretária Karen (Mônica Torres). Aguinaldo Silva já tinha ousado com o lesbianismo em Senhora do Destino (2004), quando Eleonora (Mylla Christie) e Jenifer (Bárbara Borges) aparecem nuas na mesma cama depois de uma noite de amor.

Gilberto Braga apostou na homossexualidade feminina em Vale Tudo (1988), depois de anos de censura federal. Apesar disso, Nobre afirma que a homossexualidade masculina ainda é bem mais explorada nas novelas, desde os caricatos de Carlos Lombardi (Pé na Jaca) até os mais próximos da realidade da classe média como, Braga (Paraíso Tropical).

Manoel Carlos também tem alguns exemplos fortes em suas tramas do Leblon. Foi ele quem fez o casal mais carismático da telenovela Por Amor (1997) — Virgínia (Angela Vieira) e Rafael (Odilon Vagner) — se separar porque ele mantinha vida dupla com Alex (Beto Nasci).

Embora esta exposição de orientações sexuais esteja sendo feita, Nobre acredita que a teledramaturgia vive um atraso em relação a outros produtos nacionais, como o cinema – Cazuza, por exemplo – ou seriados americanos. “Sempre em telenovelas qualquer tema polêmico tem que ser abordado com muito cuidado e doses homeopáticas de ousadia porque senão o público foge. Não podemos esquecer que a mesma cena é exibida para os ‘sem preconceito’ até os defensores de um modelo ‘moral e bons costumes’, sejam do campo ou da cidade.”

ALGUNS CASOS
- Mário Liberato (Cecil Thiré), em Roda de Fogo (1986), de Lauro César Muniz.
- Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska) em Vale Tudo (1988).
- Eleonora (Mylla Christie) e Jenifer (Bárbara Borges) em Senhora do Destino (2004), de Aguinaldo Silva.
- Ariel Britz (José Wilker) e Tadeu Borges (Otávio Müller) em Desejos de Mulher (2002), de Euclydes Marinho.
- Clara (Aline Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli), em Mulheres Apaixonadas (2003)
- Rubinho (Fernando Eiras) e Marcelo (Thiago Picci) em Páginas da Vida (2006), de Manoel Carlos.
- Junior (Bruno Gagliasso) e o peão interpretado por Eron Cordeiro em América (2005), de Glória Perez.
- Rodrigo (Carlos Casagrande) e Tiago (Sérgio Abreu) em Paraíso Tropical (2007), de Gilberto Braga e Ricardo Linhares.
 
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