| fotos: Lula Helfer/Ag. Assmann |
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| DALVA Becker, moradora de Linha Sinimbu, permanece sem acesso à outra margem do rio, onde possui as lavouras |
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Emanuelle Dal-Ri emanuelle@gazetadosul.com.br |
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O município de Paraíso do Sul ainda sofre para se recuperar dos prejuízos sofridos com a maior enchente desde a sua emancipação, em 1988. As chuvas, além de destruir casas e lavouras, danificaram estradas e fizeram com que 15 pontes fossem levadas pela força da água. A malha viária do município é relativamente pequena, com 240 quilômetros, mas ainda há trechos que precisam ser melhorados. Com muito trabalho e sem os R$ 800 mil prometidos pelo governo federal, que disponibilizou recursos para os atingidos em praticamente todo o Estado, menos para Paraíso do Sul, todas as reservas financeiras foram gastas.
Segundo o prefeito Paulo Roberto Machado, o plano de ações emergenciais apontava a necessidade de mais de R$ 1 milhão em verbas para a reconstrução da cidade. Mas a resposta dada pelo governo federal, por meio do Ministério de Integração Nacional, foi de que seriam repassados R$ 800 mil para Paraíso do Sul. “Precisamos trocar todo o projeto para nos adequarmos às exigências”, diz. Empenhado, o recurso ainda permanece em Brasília. “Os moradores reclamam para mim, não para os ministros ou para o presidente. Estamos trabalhando no limite”, salienta Machado.
INDIGNAÇÃO
“Os municípios criam filhos gerados pela União.” Com esse desabafo, o prefeito observa que investe em saúde e educação bem mais do que o exigido por lei. Desgostoso com as perdas que se acumulam desde 2009, o prefeito contabiliza que, do orçamento anual previsto em R$ 12,5 milhões, até o final do ano a cidade não chegará a R$ 8,5 milhões. “Essa situação motiva o corte de cargos de confiança (CCs), ocupantes de funções gratificadas (FGs) e demais despesas, inclusive no quadro de funcionários do Hospital Beneficente de Paraíso”, lamenta ele.
Sem medo de criticar os setores responsáveis, Machado torna evidente a sua indignação. “O governo federal não ajuda em nada, pelo contrário. Fica com a grande maioria dos impostos. E quando diminui as taxas, ainda permanece prejudicando os municípios. A lei só existe para os pequenos, pois se não tivermos investido um percentual certo nas diversas áreas, nos tornamos candidatos à prisão”, dispara. “Vou ficar esperando esse recurso nem imagino até quando. Trata-se de um descaso com Paraíso do Sul. Precisamos apenas de um pingo de ajuda, por menor que seja.” O prefeito já viajou duas vezes para a Capital Federal, em busca de verbas. “Atendo todos aqueles que chegam aqui reclamando, mas não posso assumir uma culpa que não é minha”, ele reitera.
Em virtude de toda a dificuldade que tem assolado a comunidade, Machado garante apoiar somente os deputados e senadores que, comprovadamente, tenham ajudado a cidade. “Agora é assim. Só apoio quem se mostrar receptivo aos nossos problemas”, diz. “É válido dizer, também, que tanto o governo estadual quanto a Defesa Civil têm auxiliado muito, justiça seja feita.”
Paraíso do Sul já havia enfrentado a diminuição de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no ano passado, e agora amarga novos índices dos quais não pode se orgulhar. O orçamento sofre com perdas em transferências correntes (percentual do valor arrecadado) desde 2009. Até o final do ano, os cofres públicos deverão deixar de arrecadar R$ 2,2 milhões – 60% a menos do que a previsão orçamentária para o período.
Maratona de trabalho
A família da agricultora Dalva Becker, moradora de Linha Sinimbu, aguarda com ansiedade a construção de uma nova ponte, pois a antiga foi levada pelas águas. Sem recursos, a Prefeitura não tem como realizar a construção. Curiosamente, Dalva tem a casa de um lado e as lavouras e o gado leiteiro do outro lado do rio. Em dias de chuva, a travessia fica quase impossível. “Passamos de trator para o outro lado do arroio. As vacas, que precisam ser mudadas de lugar todos os dias, têm que cruzar por dentro da água mesmo”, conta a agricultora.
Antes da queda da ponte, fundamental também para os demais moradores da comunidade, Dalva passava no local cerca de 10 vezes por dia. “Hoja evito ao máximo, mas pelo menos uma vez por dia temos de fazer essa jornada, uma verdadeira maratona de trabalho”, reclama. Ciente de que o município não consegue suprir toda a demanda, ela diz não entender o porquê de o governo ter esquecido Paraíso do Sul. “Estão nos prejudicando. Se já perdemos muito da produção com as enchentes, não podemos repetir a dose pelo descaso que vem lá de cima”.
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