Representantes dos produtores e indústrias de tabaco voltam a ficar apreensivos com o mercado internacional. Desta vez é a restrição dos Estados Unidos à importação do produto brasileiro que ameaça o setor.
Prestes a ser votado pelo Congresso norte-americano, um projeto proposto ainda em 2008 estabelece restrições ao ingresso de produtos agrícolas que utilizem defensivos não registrados no país. Isso afetaria diretamente os negócios envolvendo tabaco, pois no Brasil são usados dois tipos de agrotóxicos incluídos nesta lista. O alerta foi apresentado nessa sexta-feira, durante a 26ª reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco, ocorrida na sede da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).
O presidente do Sindicato da Indústria do Fumo (Sinditabaco), Iro Schünke, disse que essa restrição pode trazer prejuízos ao setor. De toda a produção brasileira, 13% é enviado para a América do Norte, considerada o terceiro principal destino do produto. “É um mercado muito importante e essa restrição é perigosa para toda a cadeia produtiva”, afirmou.
Entre as entidades ligadas ao agricultor, a situação é semelhante. O vice-presidente da Afubra, Heitor Petry, considera o projeto uma nova ameaça. “Estamos preocupados, pois a rentabilidade do produtor pode ficar comprometida”, disse.
MOBILIZAÇÃO
Embora acreditem que a aprovação da nova lei é questão de tempo, as entidades ligadas ao setor fumageiro começam a se mobilizar em busca de uma solução diplomática para o caso. A Câmara Setorial, ligada ao Ministério da Agricultura, e o Sinditabaco já começaram a avaliar o envio de um pedido informando sobre a situação do produto brasileiro.
Ao mesmo tempo será preparada uma campanha de esclarecimento junto aos produtores a fim de orientar que não sejam utilizados esses produtos no plantio. “Vamos reforçar as orientações para que sejam usados apenas produtos certificados”, diz Schünke. Assim, se evitaria o acúmulo de resíduos não-recomendados no tabaco.
A proposta faz parte de uma campanha de incentivo às boas práticas na lavoura, lançada pelo Sinditabaco no mês passado. Por meio dela, foram distribuídas cartilhas e serão realizadas visitas aos produtores a fim de informar sobre os cuidados no cultivo. Segundo a entidade, a lavoura de tabaco brasileira é a que menos utiliza defensivos agrícolas comparada a outras culturas como maçã, tomate, banana, milho e café. Para se ter ideia disso, em 1991 eram usados 6,6 quilos de defensivos por hectare cultivado. Na última safra esse volume foi de 1,3 quilo.
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Destinos
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Região Consumo
América Latina 5%
América do Norte 13%
União Europeia 40%
África/Oriente Médio 9%
Leste Europeu 12%
Extremo Oriente 21%
Fonte: Sinditabaco/2008
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