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Ano 65 - quarta-feira, 04 de fevereiro de 2009
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Menor idade no caminho das pedras
CRACK > NÚMERO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES QUE USAM A DROGA EM SANTA CRUZ DO SUL NÃO PARA DE CRESCER
Menor é detido temporariamente após quebrar vitrine, em dezembro. Ele e o irmão teriam cometido 17 furtos
Ricardo Düren
ricardo@gazetadosul.com.br
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Cada vez mais santa-cruzenses têm suas vidas marcadas pelo uso do crack antes mesmo de se tornarem legalmente adultos. Meninos e meninas, que deveriam estar em um processo saudável de formação da personalidade, se transformaram em presas fáceis para os traficantes e levam uma vida cujo futuro é incerto. Para muitos deles, o ingresso no crime se tornou uma forma de manter o vício.

O Conselho Tutelar de Santa Cruz do Sul estima que exista na cidade entre 50 e 60 crianças e adolescentes usuários de crack, mas não se descarta que o número seja bem maior. Segundo o conselheiro Edo Turcatti, as idades desses garotos variam de 9 a 17 anos. Vários têm envolvimento com furtos. É o caso de dois irmãos, de 11 e 12 anos, já apontados pela Brigada Militar como autores de pelo menos 17 ataques onde vitrines de lojas do Centro foram quebradas, nos últimos dois meses de 2008. O mais velho retornou recentemente, após um período de 20 dias internado, e é cedo para saber se o tratamento surtiu efeito.

Para piorar o quadro, o número desses pequenos e jovens dependentes tem aumentado. “Cada vez mais garotos batem em nossa porta desesperados, pedindo ajuda em busca de internações. Nestas horas vemos a falta que fazem locais adequados para esses meninos na cidade.” Tais casos são encaminhados para o Juizado da Infância e Juventude.

Turcatti explica que, quando se constata a necessidade de internação, os garotos são encaminhados para clínicas e fazendas de vários municípios, dependendo da disponibilidade de vagas. Se o paciente tem menos de 12 anos – limite que separa a infância da adolescência –, a situação é ainda mais complicada. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, com essa idade o menor não pode ficar sozinho longe de casa, gerando a necessidade de duas vagas: uma para o dependente e outra para um familiar acompanhante.

Nas situações onde os médicos afastam a necessidade de internação, é feito um acompanhamento junto ao Centro de Atenção Psicossocial da Infância e Adolescência (Capsia), da Prefeitura. Mas, muitas vezes, tais menores também precisam ser afastados de suas casas, onde estão em situações de risco, e aí os problemas se intensificam. “Não resta outra alternativa além de deixar os meninos no Abrigo Municipal ou na Copame, locais sem estrutura para cuidar de dependentes em drogas, visto não terem sido criados para esse fim.”

Edo Turcatti revela que, só no último dia 27, cinco rapazes com idades entre 13 e 16 anos foram ao Conselho Tutelar pedindo para serem internados. O conselheiro acredita que o fato teve relação com um homicídio ocorrido um dia antes no Loteamento Beckenkamp, supostamente ligado ao consumo de crack. A Gazeta do Sul encontrou um adolescente de 15 anos que conhecia a vítima e também espera ajuda do Conselho para se internar.

Dependente há quatro meses, ele percebeu com o episódio que o destino de quem usa crack, muitas vezes, é a morte. “Com um crime como esse, o cara vê no que dá fumar. Não era!” Ele relata que, após consumir crack pela segunda vez, não conseguiu mais parar. “Tu logo quer mais e mais.” O relato é muito parecido com o de outro jovem, de mesma idade, cuja entrevista segue abaixo.

POR QUE CRACK?
O nome da droga que tem se tornado uma epidemia social tem uma origem bastante simples. Crack é o estalo causado pela pedra no momento da queima, quando ela é fumada. As pedras são produzidas a partir de sobras de pasta de cocaína com bicarbonato de sódio. Trata-se de um tóxico “inventado” pelos próprios traficantes.

 
Turcatti: “Faltam locais adequados”
 
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